No segundo semestre de 2009 cursamos uma disciplina na faculdade que propunha a realização de trabalhos utilizando o tecido como matéria prima. Dentre as diversas propostas que surgiram, estava a confecção de bonecos de pano dos mais variados estilos. A partir disso e da nossa afinidade com a Arte Urbana e com o design, passamos a nos interessar pelo universo do Toy Art. Começamos então a confeccionar pequenos bonequinhos de tecido inspirados em uma estética similar a de artistas como Tim Burton e Junker Jane. A princípio a realização desse trabalho tinha um caráter experimental, mas durante o processo surgiram algumas discussões que nos levaram a pensar sobre o seu propósito. Chegamos à conclusão que seria interessante transformar algo que até então era despretensioso em um projeto mais complexo. Foi então que chegamos à idéia de realizar uma intervenção urbana. A escolha da intervenção urbana como veículo para a realização do trabalho deve-se principalmente à nossa vontade de interferir no cotidiano das pessoas propondo uma experiência inesperada.
A intervenção Caolhos Itinerantes consiste em dividir com outras pessoas esses pequenos objetos confeccionados por nós e propor uma reflexão acerca da construção de identidade e do desapego de uma maneira lúdica. Além disso, o projeto também trabalha com a idéia de uma rede virtual que se constrói a partir de objetos físicos.
O ato de desapego que estamos tendo e propondo nesse trabalho tem a ver com nossas vivências pessoais. Essas vivências nos permitem dizer que na medida em que a criatura torna-se mais independente do criador, mais sua individualidade, seus desejos e anseios se ressaltam. Quando abrimos mão de algo com o qual temos uma relação afetiva, estamos possibilitando que isso tome proporções maiores e que outras pessoas possam ter a mesma experiência.
A realização dessa proposta se dá basicamente em três circunstâncias: o momento em que nós, integrantes do Coletivo Refluxo, num exercício de desapego, espalhamos os caolhos em espaços públicos de forma que outras pessoas possam encontrá-los; a participação dessas pessoas no projeto através do blog; e por fim a multiplicação da proposta, seja recolocando os mesmo caolhos em circulação ou confeccionando outros.
Fizemos os Caolhos nascerem e jogamo-los no mundo. Aqui acaba nossa participação na formação deles e começa nosso papel de mediar seus registros de viagem. Para que os Caolhos comecem a construir sua individualidade, necessitam de um olhar atento, um nome, um passo, uma aventura. Esperamos ter notícias deles e que suas histórias sejam tão interessantes quanto gostaríamos que fossem.
Adorei a caolhada.
ResponderExcluirTenho andado atenta esperando que um caolhinho fofo desses cruze o meu caminho.
Onde estará ele? Como será? Quem será?
beijos
Rosilaine