Kauê, nascido em 26/08/2009 em Campinas-SP/Brasil
O Kauê foi o primeiro toy art confeccionado pela Juliana (integrante do coletivo) antes de o projeto ser criado, por isso ele não é caolho. De todos os bonecos construídos, esse, por ser o primeiro, é com o qual desenvolveu maior relação afetiva, portanto foi o escolhido para que ela mesma pudesse vivenciar a proposta.
PS: (K) indica fala do Kauê e (J) indica fala da Juliana.
(J) - Antes, retalhos maltrapilhos de tecidos empoeirados, agora um jovem alternativo de sorriso largo e olhos desalinhados. Não precisa de braços porque suas pernas finas e sua mente ampla são capazes de agarrar o mundo pra ele.
Poços de Caldas-MG/Brasil, 15/05/2010
(K) - O sol entrava tímido pelo vidro escuro do carro espaçoso. Meu sorriso preencheu-se de vida com os sons novos misturados à musica brega dos autofalantes. Enquanto isso, eu fingia usar o cinto de segurança por respeito à polícia atenta das estradas mineiras. Nunca vou me esquecer do dia em que conheci a luz de outro Estado, aquele dia amarelo frio de início de inverno. Aquele despertar do casulo saco plástico no fundo do guarda-roupa rumo às aventuras de um viajante.
(K) - Debaixo do céu esplendoroso, mergulhado na arquitetura esbelta no meio das montanhas. Vi tudo. Olhos, alma e ouvidos encantados com as praças bem cuidadas, com o som do chafariz central e com os casais idosos que reviviam sua lua-de-mel sem mãos dadas, sem brilho na íris, mas com o amor mais sincero da vida toda. Olhei as janelas semiabertas, pensando nos hóspedes que, talvez, tomavam um chá com fuxico ou um banho com promessas.
Depois, um passeio pelas pedras sem cimento. Natureza com cachoeira cercada. Novamente me vi sorrindo ao olhar a água límpida e corrente refletindo um brilho solar. Não consegui tirar os olhos da minha imagem n'água sem, no entanto, ser capaz de olhar pra mim.
Show Lacuna Coil em São Bernardo do Campo-SP/Brasil, 19/06/2010
(J) - Nunca vi o sorriso do Kauê tão sincero. Foi a emoção de conhecer Aisha, que é um caolho importante, misturada com a ansiedade de ir a um show de metal pela primeira vez na vida. Nesse dia descobriu que seu gosto musical é bem diferente do que sua aparência sugere. Seus dreads nunca balançaram tão animados quanto nesse ritmo pesado, preto e empolgante.
(K) - Foi uma viagem livre no fim de uma tarde mediana. A estrada longa nunca me pareceu tão bonita em sua aparência cinza. Ouvíamos o silêncio do mundo interferido pelo som do motor dos carros e pelo rock baixinho que tocava na rádio. Mas o momento mais emocionante da viagem foi a invasão da estrada por quatro triciclos imponentes. O ronco alto dos motores que dançavam de uma pista a outra, me trazia paz. Imaginando a liberdade daqueles forasteiros que caiam no mundo com estilo, ainda que essa liberdade fosse inventada em minha mente. Embora eu não estivesse com os cabelos ao vento, encontrava-me num estado de êxtase semelhante ao que imagino que estivessem os motoqueiros de três rodas.
(K) - O Aisha é simplesmente demais. Gostei muito de conhecê-lo e acredito que já nos tornamos bons amigos. Não só por afinidade, não só pela simpatia, não só pelo sorriso sincero, não só pelo fato de termos compartilhado a experiência ímpar de respirar o mesmo ar que a Cristina Scabbia. Meu amor pelo Aisha é também tudo isso, mas é, sobretudo, a força que sinto ganhar estando com ele. Ele me faz sentir mais parte do mundo, me faz sentir acompanhado. É um sentimento que não consigo explicar. Amizade é um tipo de amor e amor é mesmo difícil de explicar em parágrafos.
(J) - Os rockeiros também se cansam... até mesmo os acolchoados de tecidos. Foi uma dose e tanto de rock'n roll, de descobertas e de emoções.
(K) - Venho descobrindo que as coisas podem ser sempre mais intensas e que na maior parte das vezes isso depende de mim. Vou citar um trecho da Senzafine, uma das minhas músicas favoritas do Lacuna, que tem muito a ver com isso:
"Risvegliami
Madre, il mio destino scelgo se
Madre, riesco a resistere
Madre, non c’è scelta senza me
Madre, non c’è vita senza me
Madre, non c’è scelta senza me
Madre, non c’è..."
Traduzindo:
Me acorde
Mãe, eu escolherei o meu destino
Mãe, se eu for capaz de resistir
Mãe, não há escolha sem mim
Mãe, não há vida sem mim
Mãe, não há escolha sem mim
Mãe, não há...
(J) - Ultimamente o Kauê tem estado um pouco deprimido e por inccrível que pareça isso é reflexo de seu encontro com Aisha. Seu olhar para o mundo com dois olhos já não parece coerente sendo que seu ídolo maior é um Caolho com letra maiúscula. Não. Pensou com seus botões e não parece certo deixar tudo como está, apesar de qualquer justificativa. As diferenças lhe parecem importantes, mas não essa diferença. Não aceita um caolho de olhar duplo doado ao mundo.
(J) - Ultimamente o Kauê tem estado um pouco deprimido e por inccrível que pareça isso é reflexo de seu encontro com Aisha. Seu olhar para o mundo com dois olhos já não parece coerente sendo que seu ídolo maior é um Caolho com letra maiúscula. Não. Pensou com seus botões e não parece certo deixar tudo como está, apesar de qualquer justificativa. As diferenças lhe parecem importantes, mas não essa diferença. Não aceita um caolho de olhar duplo doado ao mundo.





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